Holbox, um destino pouco explorado em Quintana Roo, México.

Holbox pra mim, foi uma surpresa, eu realmente não esperava gostar tanto. Em junho deste ano, eu e mais 12 amigas fomos passar uma semana em Cancún para a Despedida de Solteira de uma das meninas (sim, vou fazer um post só sobre a despedida de solteira no Caribe, que foi incrível). Quando estávamos planejando a viagem, eu e mais 3 amiga – que já tínhamos ido para Cancún – decidimos não ficar no Resort todos os dias e explorar um pouquinho mais do México.

Eu pesquisei sobre a ilha quando decidimos ir, e confesso que as fotos que encontrei não me animaram muito, o mar não parecia tão azul e não me pareceu nada de mais. Mesmo assim eu queria fazer essa viagem e confiei no destino (e nas minhas amigas), e não me arrependo NADA. Chegando lá eu entendi, o mar é BEM raso, a água bate na metade da canela, e pela água ser extremamente transparente o que você vê nas fotos é a cor da areia branca no fundo.

Como chegar lá

Nós optamos por alugar um carro desde a zona hoteleira de Cancún, devido a logística um pouco complicada que tínhamos. Porém existem ônibus e transfer de hotéis, o que eu acredito ser uma ótima opção, já que você não precisa se preocupar com o trajeto, estacionamento e principalmente não tem a obrigação de devolver o carro, podendo ficar uns dias a mais se quiser e o seu roteiro permitir. Isso aconteceu com a gente, quando chegamos imediatamente concluímos que queríamos ficar mais tempo, porém tínhamos que entregar o carro em Playa del Carmen e o orçamento não permitia pagar a multa da locadora ou pagar mais um dia de alugel.

Saindo de Cancún o percurso durou cerca de 3 horas (o tempo é mais ou menos o mesmo se você sair de Playa del Carmen). A estrada é muito boa até lá, você vai passar por alguns pedágios e por postos da polícia, preste atenção e tome cuidado a velocidade permitida nas estradas do México mudam abruptamente, você está a 80km/h e de repente passa por um trajeto de 30km/h, sem baixar gradativamente, como é aqui no Brasil. Tentamos descobrir se existe radar de controle de velocidade, porém não encontramos uma informação exata; descobrimos que se a polícia te para eles ficam com o seu documento até você pagar a multa, e se você está estacionado em local proibido eles retiram a sua placa. Então vamos tomar cuidado e respeitar as leis de trânsito do país, ninguém quer se incomodar nas férias, não é mesmo? A estrada é bem sinalizada, porém optamos por usar um GPS offline (maps.me) que funcionou perfeitamente. Passamos por estradas desertas e por pequenos povoados/cidadezinha, aproveitamos esse momento para apreciar a cultura mexicana de verdade. Preste atenção no seu combustível, postos de gasolina não são tão frequentes na estrada. Chegando lá existem diversos estacionamentos próximos ao porto, não se preocupe. O nome da cidade que pegamos o ferry até Holbox é Chiquilá, compramos o ticket do ferry na hora mas acredito que você pode comprar antecipadamente, e já compramos o ferry da volta junto que ficava mais barato e você não precisa definir a data de volta na hora da compra. O ticket custava MX$ 140 pesos um trajeto e MX$ 250 ida e volta e o ferry sai praticamente de hora em hora, o trajeto dura mais ou menos 30 min.

A ilha não é pavimentada e o chão é de areia da praia, então a melhor opção aqui é levar uma mochila pela locomoção. Se o seu hotel fica mais longe você pode pegar um taxi, que são uns carrinhos de golf amarelos, você vai ver alguns já na saída do ferry.

A ilha é incrível por si só, se você quer por alguns dias não fazer nada na beira da praia, esse é o lugar! A água do mar é incrívelmente cristalina, super rasa e sem ondas, então você pode ficar deitado dentro do mar sem problemas. Imagino que é um ótimo destino para crianças, já que os pequeninos podem entrar no mar sem boia. Existem diversas opções de restaurantes na beira na praia e não tem muitos ambulantes vendendo coisas (tem alguns sim, principalmente vendendo passeios e alguns locais vendendo artesanato, mas nem se compara a uma praia movimentada). O silêncio e a paz do lugar não tem nada igual.

Quantos dias ficar

Eu indicaria no mínimo duas noites. Você vai ter que pegar a estrada de um jeito ou de outro, para ir e para voltar, apesar de não ser um trajeto muito longo, toma tempo e cansa, então somente uma noite é muito pouco, principalmente se você quer fazer qualquer um dos passeios. Duas noites é o mínimo, você terá um dia inteiro para descansar e fazer pelo menos um passeio mais longo. Nós ficamos duas noites, mas a vontade era de ficar a semana toda, o mês, pra sempre, enfim…

Onde se hospedar

A ilha não é muito grande, ela é estreita e comprida. A melhor opção é procurar um hotel ou hostel próximo da praia e o mais próximo da praça central. A maior parte dos restaurantes, lojas e locadoras de bicicletas ficam nas ruas que cercam a praça, e é super gostoso de passear por ali de noite e ver as lojinhas com ótimas opções de suveniers mexicanos principalmente o artesanato local, provar a autêntica Marquesita em uma das barraquinhas e escolher um dos vários restaurantes para jantar.

Você não vai encontrar nenhum grande hotel ou resort, nem grandes redes de fast-food na ilha. Mas existe uma grande variedade de hostels e hotéis dos mais simples aos um pouco mais sofisticados na beira da praia. Acredito que daqui uns anos isso mude, quando fomos já tinham algumas construções maiores em andamento na beira da praia, o que eu honestamente acho uma pena. Nós ficamos no Hostel Che Holbox, é uma ótima opção de hostel, fica próximo ao porto em que chega o ferry e a algumas quadras da praça central. O hostel oferece aluguel de bicicletas, você pode agendar os passeios direto na recepção e eles tem também alguma atividade todos os dias como churrasco ou bearpong que proporcionam um momento de confraternização de todos os hospedes.

O que fazer

Bicicleta

Acho que um dos passeios obrigatórios (e por sorte um dos mais baratos) é alugar a uma bicicleta e percorrer toda a praia, com certeza você vai querer parar para apreciar a paisagem ou para dar um mergulho e não se engane, o percurso não é curto e pode tomar a boa parte de um dia. Você pode ir até Punta Mosquito ou Cabo Catoche. No dia que alugamos decidimos ir até Cabo Catoche, chega um ponto na praia que não tem mais como ir de bicicleta, deixamos as nossas e seguimos a pé, paramos em um banco de areia e perdemos um pouco a noção do tempo, voltamos quando a maré começou a subir.

Você pode explorar a ilha a pé também, no primeiro dia em Holbox fomos caminhando em direção a Punta Mosquito (o nome faz jus ao lugar, prepara o repelente). E claro que ficamos contemplando as belezas naturais da ilha, os flamingos no mar e o por do sol cor de rosa, e não chegamos até a ponta da ilha. Mas confesso que isso foi bom, quando o sol baixa por causa dos mosquitos fica quase impossível de ficar ali, tivemos que voltar correndo (literalmente).

De bicicleta ou a pé, não se esqueça de parar e apreciar as diversas pinturas em murais espalhadas pela ilha, com cores vibrantes, carregadas de significado da cultura maia e frases de efeito.

Bioluminescência

Outro passeio que fizemos e que eu julgo ser obrigatório é ir ver o fenômeno da bioluminescência. Que na teoria é o resultado de uma reação química dos plânctons nesse caso, que são criaturas marinhas microscópicas, emitindo luz como mecanismo de sobrevivência ou de defesa. Na prática, o mar brilha, eu realmente não tenho como explicar de outra forma. Você pode ver esse fenômeno no mar em vários lugares do mundo em épocas diferentes do ano, em Holbox a bioluminescência ocorre durante quase todo o ano, porém no período de dezembro a março que a temperatura do mar é mais baixa, reduz bastante a visibilidade do fenômeno e os tours não oferecem esse passeio já que não há microorganismos suficientes para apreciá-lo. A lua é um fator muito importante, para visualizar melhor a bioluminescência é necessário que esteja bem escuro, então os dias de lua cheia não são recomendados.

Você não precisa contratar um passeio para ver a bioluminescência, de verdade é só chegar até o mar de noite. Por ser um organismo que emite luz para se defender, ele não brilha sozinho como um vagalume, ele emite luz quando algo entra em contato com ele ou ele é movimentado. Já vi fotos de bioluminescência no mar, e a luz era emitida quando as ondas quebravam, mas em Holbox não tem onda, lembra?! Não tem jeito você vai ter que entrar no mar, quando tu pisar na água ou colocar a mão no mar a água ao redor do teu corpo vai começar a brilhar. Você também consegue ver os peixes nadando como feixes de luz. O problema de não contratar o passeio é o seguinte, para ver melhor você vai ter que ir a pé ou de bicicleta em direção a ponta da ilha, onde não tem as luzes da cidade e nós conversamos com uma meninas antes de ir e ela nos disse que ela não conseguiu chegar até o lugar para ver por causa da quantidade de mosquitos. Além disso as pessoas que conduzem os tours já conhecem e sabem quais os pontos da ilha são melhores para visualizar, isso é uma vantagem.

O tour sai sempre depois que a lua se põe, então cada dia é um horário diferente e o ponto de encontro é na praia. O nosso tour saiu as 2h da manhã. Quando fica tudo escuro tu entra no mar de kayak, colete salva vidas e lanterna, tudo fornecido pelo tour, e começa a remar em direção a Punta Mosquito. Essa é outra experiência incrível, remar de kayak no mar de madrugada e preciso dizer, enquanto tu estiver remando para um pouco e olha pra cima, foi sem dúvidas um dos céus mais estrelados que eu já presenciei. Além disso, o tour normalmente sai com várias pessoas e ninguém é expert em remar um kayak o que rendeu muitas risadas, aproveite esse momento de descoberta também. Quando chagamos, fomos até a beira da praia mas ainda dentro do mar e descemos do kayak, no nosso caso o primeiro lugar que fomos não estava muito bom e nós fomos para outro ponto depois. E ai você fica no mar, só curtindo. Você não precisa levar nada no passeio, eles ficam com as roupas e chinelos. O tour oferece bebidas durante o passeio também. Sobre as fotos, nenhuma de nós tinha celular a prova d´água e eu não gosto muito das fotos da minha gopro de noite, além disso o guia nos alertou que é muito difícil de capturar a bioluminescência, então não levamos nada para tirar fotos, mas está registrado tudinho na nossa memória.

(Obs: eu nunca tinha visto o pôr da lua, é interessante, recomendo!)

Tubarões baleia

Esse foi outra passeio que fizemos eu e uma das minhas amigas, as outras duas preferiram curtir a praia e a ilha. Confesso que levou um tempo para eu me convencer de fazer o passeio, não porque eu estava com medo, na verdade eu até achava que a gente não chegava tão perto dos tubarões e eles são vegetarianos, tudo certo! O problema foi o valor e o tempo, pagamos MX 1800 pelo passeio e ele durou uma boa parte do dia. Além do valor ser bem salgado, ainda mais por estarmos viajando com o orçamento apertado e já era o fim da viagem então a grana tava curta mesmo, eu fiquei na dúvida entre curtir mais um dia no paraíso ou ficar desde bem cedo até metade da tarde em um barco, principalmente quando fiquei sabendo que tu desce do barco para ver os tubarões só duas vezes por 10 minutos cada vez e é possível que o tour não encontre os tubarões naquele dia, vou explicar melhor depois. No fim o que me convenceu foi que eu cheguei a conclusão que seria bem possível eu não ter a oportunidade de nadar com tubarões baleia de novo ou tão cedo, e vou contar pra vocês que não me arrependo.

Compramos o passeio no nosso hostel mesmo, o passeio saia bem cedo de manha e todos os barcos saem da ilha mais ou menos na mesma hora, o barco era pequeno, no máximo 8 pessoas mais o capitão e o guia. O motivo pelo qual demora tanto o passeio é que os barcos vão para alto mar, pelo menos por duas horas, tu não vê o continente por um bom tempo e depois porque ninguém sabe onde os tubarões estão, já que eles estão em seu habitat natural e não presos, então todos os barcos vão em busca dos tubarões e avisam via rádio quando encontram e todos os barcos, ou pelo menos os que estiverem por perto, vão até o ponto onde os tubarões foram encontrados. E o motivo que é tão pouco tempo com os tubarões é que, primeiro mesmo com coleta salva-vidas e pé de pato o guia desce junto e fica te segurando, é mar aberto e a corrente é muito forte, então desce do barco uma dupla de cada vez; segundo, são muitos barcos que chegam juntos e se o tubarão se sentir ameaçado de alguma forma ele desce e não fica mais visível; e por último é uma loucura pra garantir que todo mundo tenha a chance de ver os tubarões uma vez que eles foram encontrados que se deixassem mais tempo podia ser que o tubarão nadasse pra longe e quem ficou por último não consiga ver.

Nós tivemos sorte, demorou mas encontramos os tubarões, eu não sei quantos tinham mas eu e minha amiga vimos dois diferentes, um em cada vez que pulamos. No primeiro pulo ele estava embaixo da gente e no segundo nele nadou bem do nosso lado. E foi incrível, de deixar sem palavras, mesmo que por pouquinho tempo. Tu tem essa ideia na tua cabeça do tamanho de um tubarão baleia, mas mesmo assim quando aparece do teu lado é um choque! Na volta do passeio paramos em um ponto para fazer snorkel, vimos tartarugas e araias além de vários peixinhos. Paramos em uma praia deserta para o almoço, que está incluso no tour junto com alguns lanches. O almoço foi ceviche de peixe feito na hora pelo capitão do barco, enquanto ele preparava a gente pode curtir um pouco em terra firme.

Algumas dicas sobre esse passeio: tente não levar muitas coisas, o barco é pequeno e se mexe muito, ficar segurando as coisas atrapalha um pouco; você vai ficar exposto ao sol por muitas horas, abuse do protetor solar; se você é uma pessoa que costuma enjoar, se prepare, até eu que não enjoo fácil quase vomitei quando o barco ficou parado em alto mar esperando o pessoal olhar os tubarões; por último, esse não é aqueles tour que tu não pode levar a tua câmera e depois tem que comprar as fotos deles, se tiver celular ou câmera a prova d´água, pode levar sem problema nenhum.

Além disso você ainda pode paticar Kitesurf, visitar Bird Island que é uma ilha vizinha ou conhecer o Cenote em Yalahau. Ou só curtir a natureza, os flamingos, sair a procura de uma estrela do mar e aproveitar a paz e a vibe da ilha na beira da praia.

Além de tudo isso, aqui vão algumas dicas práticas:

A moeda local no México é o Peso Mexicano, e apesar de muitos lugares aceitarem dólares, na maioria das vezes é feito a conversão na hora e a conversão na ilha não era a das melhores. Quase no fim da nossa estadia em Holbox encontramos uma casa de câmbio com uma conversão ok, porém é melhor trocar pelo menos uma parte do dinheiro antes de subir no ferry.

O sinal de Wi-Fi na ilha é muito fraco, alguns restaurantes e hotéis tem mas é bem difícil conectar, postar em redes sociais é quase impossível. O importante aqui é deixar as pessoas saberem que você vai ficar offline por uns dias pra não deixar ninguém preocupado e curtir a ilha desconectado! Tire MUITAS fotos mas não se estresse e deixe para postar depois.

Uma última dica, o nome da ilha se pronuncia Rolboch, pronunciar o X no final fez a gente passar um pouquinho de trabalho na hora de pedir informação e não deu pra esconder que éramos turistas.

E principalmente aproveita a viagem!

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